quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

Um pouco sobre mundo paralelo

O universo é tão certinho que a gente até desconfia. Para os religiosos que consideram que o Cosmos foi criado graças a um projeto divino, isso não é nenhuma surpresa: afinal, Deus é sábio. Já os cientistas, embora possam acreditar num Criador, tentam ir além dessa ideia e entender as razões físicas por trás dos mecanismos cósmicos. Afinal, por que o Universo está tão cheio de galáxias, estrelas e planetas, em vez de ser um imenso vazio? Por que as leis da natureza parecem ser tão adequadas ao surgimento da complexidade e da vida? Uma das hipóteses favoritas para tentar explicar isso nas últimas décadas deixa de lado a visão de que este nosso Universo é tudo o que há. Segundo essa ideia, a ordem cósmica só faz sentido se imaginarmos universos paralelos - e talvez até infinitos universos paralelos - pipocando por todos os lados.

"Hã? Como assim?", dirá você. Calma. O salto de uma coisa para outra é menos forçado do que parece. O problema científico que a ideia de universos paralelos (ou de um Multiverso, como também é conhecida) tenta resolver é o da sintonização precisa do nosso Cosmos. Existe uma lista pequena de características fundamentais do Universo, das quais depende o surgimento e a continuidade da vida na Terra (e em outros lugares também, se ela existir). São coisas simples, como a intensidade da gravidade, a massa (peso) dos elétrons e de outras partículas ou a quantidade da atração entre os componentes do núcleo dos átomos. Variações minúsculas em qualquer uma dessas grandezas tornariam inviável a existência de qualquer coisa que valesse a pena ser vista no Universo. Ou as estrelas não se formariam, ou queimariam seu combustível rápido demais, ou não formariam elementos mais complexos que o hélio. E aí, nada de Terra - e nada de vida.


Contudo, como eu estou escrevendo este texto e você está lendo o dito-cujo, parece que tiramos a sorte grande e chegamos até aqui depois de uns 13 bilhões de anos de história cósmica. Para alguns, a única explicação para esse fato improvável é que, nos primórdios do Universo, Deus teria "girado os botões" deda parâmetro cósmico de forma precisa, sintonizando o Cosmos para produzir estrelas, complexidade e vida. Mas será que não haveria uma explicação natural para a sintonia fina do Universo?


Os físicos até que estão tentando achá-la, mas a coisa anda meio difícil. Se fosse possível mostrar que os valores das grandezas essenciais (o tamanho relativo de cada partícula, a intensidade da gravidade etc.) dependem uns dos outros e têm uma razão única e lógica de ser, estaria resolvido o problema: o Universo é assim porque esse é o único jeito de um Universo ser. Acontece que, apesar de buscas incessantes, ninguém achou ainda esse princípio unificador. Os valores das grandezas do Universo continuam parecendo arbitrários. É preciso achar outro caminho para explicar a sintonia fina.                                            E você o que acha??

 ca

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